Hoje de manhã tocaram-me à campainha. Quando abri a porta, encontrei um casal bonito e bem apresentado. O homem falou primeiro:
João: “Olá! Eu sou o João e esta é a Maria.”
Maria: “Olá! Estamos aqui para o convidar a vir beijar o cu do Henrique connosco.”
Eu: “Peço desculpa?! Estão a falar sobre o quê? Quem é o Henrique e porque deveria eu querer beijar o Seu cu?”
João: “Se você beijar o cu do Henrique, Ele dá-lhe um milhão de euros; se não beijar, Ele enche-o de porrada.”
Eu: “O quê? Isto é algum tipo de máfia bizarra à procura de extorquir dinheiro?”
João: “O Henrique é um bilionário filantropo. O Henrique construiu esta cidade. O Henrique é o dono desta cidade. Ele pode fazer aquilo que Ele quiser, e o que Ele quer é dar-lhe um milhão de euros, mas Ele não pode enquanto não lhe beijar o cu.”
Eu: “Isso não faz sentido nenhum. Porquê…”
Maria: “Quem é você para questionar a dádiva do Henrique? Você não quer um milhão de euros? Não vale a pena por um pequeno beijo no cu?”
Eu: “Bem, talvez, se for legítimo, mas…”
João: “Então venha beijar o cu do Henrique connosco.”
Eu: “Costumam beijar o cu do Henrique?”
Maria: “Oh sim, a toda a hora…”
Eu: “E Ele já vos deu um milhão de euros?”
João: “Bem, não. Só se vai ganhar o dinheiro quando se sair da cidade.”
Eu: “Então porque não saem da cidade agora?”
Maria: “Não se pode sair até ao Henrique deixar, ou então não se ganha o dinheiro, e Ele enche-o de porrada.”
Eu: “Conhecem alguém que tenha beijado o cu ao Henrique, tenha saído da cidade e ganho o milhão de euros?”
João: “A minha mãe beijou o cu do Henrique durante anos. Ela deixou a cidade o ano passado, e tenho a certeza que ela ganhou o dinheiro.”
Eu: “Ainda não falou com ela desde então?”
João: “Claro que não, o Henrique não permite.”
Eu: “Então o que o faz pensar que ele lhe vai dar o dinheiro se nunca falou com ninguém que tenha recebido o dinheiro?”
Maria: “Bem, Ele dá-lhe um bocado antes de sair. Talvez obtenha um aumento, talvez ganhe um pequeno prémio na lotaria, ou talvez encontre uma nota de 20 euros na rua.”
Eu: “O que tem isso a ver com o Henrique?”
João: “O Henrique tem uns certos “conhecimentos””.
Eu: “Peço desculpa, mas isto tudo soa-me a uma grande fraude.”
João: “Mas é um milhão de euros, acha mesmo que pode arriscar? E lembre-se, se não beijar o cu ao Henrique, ele enche-o de porrada.”
Eu: “Talvez se eu conseguisse ver o Henrique, falar com Ele, obter os detalhes diretamente Dele…”
Maria: “Ninguém vê o Henrique, ninguém fala com o Henrique.”
Eu: “Então como é que lhe beijam o cu?”
João: “Às vezes sopramos-Lhe um beijo e pensamos no cu Dele. Outras vezes beijamos o cu do Carlos e ele passa-Lhe.”
Eu: “Quem é o Carlos?”
Maria: “Um amigo nosso. Foi ele que nos ensinou tudo sobre beijar o cu do Henrique. Tudo o que tivemos de fazer foi leva-lo a jantar algumas vezes.”
Eu: “E vocês simplesmente acreditaram nele quando ele disse que existia um Henrique, que o Henrique queria que Lhe beijassem o cu, e que o Henrique os iria recompensar?”
João: “Não! O Carlos tem uma carta que recebeu do Henrique há muitos anos que explica tudo. Está aqui uma cópia; veja por si próprio.”
Da secretária do Carlos
- Beija o cu do Henrique e Ele dá-lhe um milhão de euros quando sair da cidade.
- Beba álcool em moderação.
- Encha de porrada as pessoas que forem diferentes de si.
- Coma direito.
- O Henrique ditou esta lista pessoalmente.
- A lua é feita de queijo verde.
- Tudo o que o Henrique diz está certo.
- Lave as mãos depois de usar a casa de banho.
- Não beba álcool.
- Coma salsichas no pão, sem condimentos.
- Beije o cu do Henrique ou ele enche-o de porrada.
Eu: “Isto parece ter sido escrito numa folha do Carlos.”
Maria: “O Henrique não tinha papel.”
Eu: “E tenho um palpite que se verificarmos, vamos descobrir que esta é a letra do Carlos.”
João: “Claro que sim, o Henrique ditou-a.”
Eu: “Pensei que tinha dito que ninguém via o Henrique?”
Maria: “Agora não, mas há muitos anos atrás Ele falou com algumas pessoas.”
Eu: “Eu pensei que tinham dito que Ele era um filantropo. Que raio de filantropo enche as pessoas de porrada só porque são diferentes?”
Maria: “É isso que o Henrique quer, e o Henrique está sempre certo.”
Eu: “Como descobriram isso?”
Maria: “O número 7 diz: “Tudo o que o Henrique diz está certo”. Isso chega para mim!”
Eu: “Talvez o vosso amigo Carlos tenha inventado isto tudo.”
João: “Sem hipóteses! O número 5 diz “O Henrique ditou esta lista pessoalmente”. Para além disso, o número 2 diz “Beba álcool em moderação”, o número 4 diz “Coma direito” e o número 8 diz “Lave as mãos depois de usar a casa de banho”. Toda a gente sabe que estas coisas estão corretas, por isso o resto também deve estar correto.”
Eu: “Mas o número 9 diz “Não beba álcool”, o que não combina bem com o número 2, e o número 6 diz “A lua é feita de queijo verde”, o que é simplesmente errado.”
João: “Não existe contradição entre o 2 e o 9, o 9 clarifica o 2. Quanto ao número 6, você nunca foi à lua, por isso não pode ter a certeza.”
Eu: “Os cientistas já estabeleceram que a lua é feita de pedra…”
Maria: “Mas eles não sabem se a pedra veio da Terra ou do espaço, logo pode tão facilmente ser queijo verde.”
Eu: “Eu não sou um especialista, mas penso que a teoria de que a lua foi “capturada” pela terra já provada errada. Para além disso, não saber donde veio a pedra não a faz ser queijo.”
João: “Ah! Você acabou de admitir que os cientistas erram, mas nós sabemos que o Henrique está sempre certo.”
Eu: “Sabemos?”
Maria: “Claro que sabemos. Está escrito no número 7.”
Eu: “Estão a dizer que o Henrique está sempre certo porque está escrito na lista, a lista está certa porque o Henrique ditou-a, e sabemos que o Henrique a ditou porque está escrito na lista. Isso é lógica circular, é o mesmo que dizer “O Henrique está certo porque Ele diz que está certo.””
João: “Agora está a perceber! É sempre uma grande recompensa ver alguém a adotar o modo de pensar do Henrique.”
Eu: “Mas…oh, esqueçam. Já agora, qual é a situação das salsichas?”
A Maria fica corada
João: “Sem pão não há salsicha. Uma salsicha sem pão é errada.”
Eu: “Sem ketchup? Sem mostarda?”
A Maria fica com ar de doente
João: (a gritar) “Não há necessidade para esse tipo de linguagem! Condimentos de qualquer tipo são errados!”
Eu: “Então um grande prato de massa com tomate e salsichas às rodelas está fora de questão?”
Maria: (tapa os ouvidos com os dedos) “Não estou a ouvir isto. La la la la la la.”
João: “Isso é nojento. Apenas um maníaco doente comeria algo assim…”
Eu: “É bom! Eu como disso um monte de vezes.”
A Maria desmaia
João: (apanha a Maria) “Bem, se soubesse que você era um desses, não tinha desperdiçado o meu tempo. Quando o Henrique o encher de porrada eu vou lá estar, a contar o meu dinheiro e a rir-me. Eu beijarei o cu do Henrique por si, seu comedor-de-salsichas-sem-pão-com-tomate.”
Com isto, o João arrastou a Maria para o carro e acelerou.
Original em http://jhuger.com/kisshank



